Trabalhadores voltam a acusar Pingo Doce de repressão

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O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP) anunciou que vai recorrer em tribunal às “dezenas de processos disciplinares” instaurados pela administração do Pingo Doce aos funcionários, acusando-a de “repressão” e de “pressão psicológica” sobre os empregados.

“Nos últimos meses e, mais recentemente, em algumas lojas do Pingo Doce no Porto e Grande Porto, têm vindo a instaurar processos disciplinares aos trabalhadores que têm tido quebras de caixa no final de um dia de trabalho”, denunciou a dirigente sindical Natália Pinto.

A dirigente sindical participou de uma ação de protesto diante do supermercado Pingo Doce na rua de Passos Manuel, no Porto, e apontou que “só nesta loja foram instaurados quatro processos disciplinares nos últimos dias”.

Quebra de caixa dá advertências e castigos

Natália Pinto explicou à agência Lusa que “basta que qualquer trabalhador tenha uma pequena quebra de caixa no final do dia para logo lhe ser aplicada uma advertência, muitas vezes sem a instauração do processo disciplinar, não lhe dando hipótese de defesa”. A dirigente sindical considera que “estas iniciativas da empresa são ilegais”, e sublinha que o contrato colectivo do sector “diz na cláusula 21.ª que, não havendo pagamento do abono para falhas (como acontece no Pingo Doce), é da inteira responsabilidade da empresa assumir as quebras verificadas na caixa”.

Além disso, o sindicato pretende reverter em tribunal “estes castigos aplicados aos trabalhadores” e accionar a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) relativamente a esta situação.

Para o CESP, esta “atitude prepotente por parte de algumas chefias do grupo” resulta do “aumento da pressão existente nas lojas por manifesta falta de pessoal”, já que, nos últimos anos, “não foram renovados muitos contratos de trabalho e não admitiram novos trabalhadores para as lojas”.

Além disso, a administração tem tido dificuldade de “gerir os horários de trabalho dos trabalhadores das lojas”, tendo-se criado um “clima repressivo” que causa grande “pressão psicológica” aos funcionários.

“Mudam horários a toda a hora, na base de ameaças e pressão psicológica, porque não têm ninguém para trabalhar, são sempre os mesmos e os mesmos não podem fazer tudo”, disse, acusando a empresa de “contabilizar todos os minutos de atraso” dos funcionários para, assim que seja atingido o período de um dia de trabalho, ser determinado um dia de “falta injustificada”.

Situação insustentável

“A situação começou já no ano passado, mas desde o início deste ano está a ser insustentável, com processos disciplinares a toda a hora, por variadíssimas razões”, afirmou Natália Pinto.

Quanto aos trabalhadores, disse, “todos têm medo de ser despedidos”, pelo que “a maior parte acobarda-se face a qualquer medida que a empresa tome”.

Segundo o também dirigente do CESP Jorge Pinto, este “clima de repressão” é hoje comum a todo o sector.

“Os trabalhadores hoje estão altamente limitados de reivindicar o que quer que seja no seu local de trabalho. Estamos quase a regressar ao antes do 25 de Abril dentro das empresas, porque há repressão e medo e, como não há oferta de emprego, as pessoas comem e calam”, afirmou o responsável sindical.

Fonte: Esquerda.net

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