Thomas Malthus e a Teoria Malthusiana

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Thomas Malthus
Thomas Malthus

Thomas Malthus foi um demógrafo e economista Inglês que escreveu o Ensaio de Malthus, ensaio esse que está dividido em dois livros. Esta primeira teoria demográfica de grande impacto é, até hoje, a mais popular entre todas, apesar das falhas que apresenta.

A Teoria Malthusiana baseia-se no Princípio da Escassez. A população humana tende a crescer mais rapidamente que a produção de alimentos o que torna o conceito escassez de extrema importância para a Economia.

Malthus tornou-se famoso sobretudo pelas suas perspectivas pessimistas mas muito influentes. Apesar de ser assumido popularmente que as suas teses pessimistas deram à Economia a alcunha da Ciência lúgubre (dismal science), a frase foi na verdade cunhada pelo historiador racista Thomas Carlyle em referência a um ensaio contra a escravatura escrito por John Stuart Mill.

A sua fama decorre dos estudos sobre a população, contidos em dois livros conhecidos como Primeiro Ensaio e Segundo Ensaio:

• “Um ensaio sobre o princípio da população na medida em que afecta o melhoramento do futuro da Sociedade, com notas sobre as especulações de Mr. Godwin, M.Condorcet e outros escritores” (1798).

• “Um ensaio sobre o princípio da população ou uma visão de seus efeitos passados e presentes na felicidade humana, com uma investigação das nossas expectativas quanto à remoção ou mitigação futura dos males que ocasiona” (1803).

A Teoria Malthusiana

O livro do socialista inglês William Godwin, “An Enquiry Concerning The Principles of Political Justice and Its Influence on General Virtue and Happiness” (Um Inquérito Concernente aos Princípios da Justiça Política e Sua Influência sobre a felicidade e a Virtude em Geral), provocou um grande impacto na vida do jovem Malthus em 1793.

Após vários debates sobre o livro de Godwin e suas ideias (tais como: no futuro não haverá mais um punhado de ricos e uma multidão de pobres; não haverá mais guerras assim como doenças; o homem não se angustiará nem mais viverá melancolicamente; não haverá necessidade, nem da administração da justiça, nem de governo) Malthus decidiu escrever sua própria visão sobre o futuro da humanidade e o crescimento populacional.

Em 1798, Malthus escreveu e publicou, sob anonimato, o seu célebre livro “An Essay on the Principle of Population, as It affects the Future Improvement of Society: with Remarks on the Speculations of Mr. Godwin, M. Condorcet and Other Writers “(Um Ensaio sobre o Princípio da População que Afecta o Melhoramento Futuro da Sociedade: com Observações sobre as Especulações do Senhor Godwin, Monsieur Condorcet e Outros Escritores), uma obra essencialmente polémica, dirigida aos autores e às suas ideias utópicas oriundas da Revolução Francesa.

A perfectibilidade do homem e da Sociedade tinham o incondicional apoio do advogado Daniel Malthus, cujas discussões entre pai e filho acabaram desencadeando na elaboração das observações de Malthus em amor à verdade.

Segundo Thomas Malthus, pode-se considerar dois postulados, sendo o primeiro que o alimento é necessário à existência do homem, e o segundo que a paixão entre os sexos é necessária e permanecerá aproximadamente em seu presente estado. Supondo, então, podemos dizer que a capacidade de crescimento da população é indefinidamente maior que a capacidade da terra de produzir meios de subsistência para o homem.

Na perspectiva de Malthus, existiam dois tipos de obstáculos:

  • Obstáculos positivos (A Fome, a Desnutrição, as Epidemias, Doenças, as Pragas, as Guerras etc.) no sentido de aumentar a taxa de mortalidade;

  • Obstáculos preventivos (as Práticas Anticoncepcionais Voluntárias) no sentido de reduzir a taxa de natalidade.

O crescimento da população, os meios de subsistência e as causas da pobreza em plena Revolução Industrial são os problemas centrais analisados pelo economista clássico Thomas Robert Malthus. Segundo Malthus: «Pode-se seguramente declarar que, se não for a população contida por freio algum, irá ela dobrando de 25 em 25 anos, ou crescerá em progressão geométrica (1,2,4,8,16,32,64,128,256,512,…). Pode-se afirmar, dadas as actuais condições médias da terra, que os meios de subsistência, nas mais favoráveis circunstâncias, só poderiam aumentar, no máximo, em progressão aritmética (1,2,3,4,5,6,7,8,9,10)». Segundo o economista clássico Malthus, «(…) o poder da população é tão superior ao poder do planeta de fornecer subsistência ao homem que, de uma maneira ou de outra, a morte prematura acaba por visitar a raça humana.»


Assim, Malthus concluiu que o ritmo de crescimento populacional seria mais acelerado do que o ritmo de crescimento de alimentos (progressão geométrica versus progressão aritmética). Além disso, chegou à conclusão que no futuro as possibilidades de aumento da área cultivada estariam esgotadas, pois todos os continentes estariam completamente ocupados pela agropecuária e, no entanto, a população mundial continuaria a crescer.

Os vícios humanos são os agentes activos da desaprovação. São eles os precursores do grande exército da destruição e em geral acabam por fazer o serviço macabro por si sós. Mas, se não consegue vencer a guerra da exterminação, as epidemias, pestes e pragas avançam e ceifam a vida de dezenas de milhares de pessoas.

Se por fim a situação não estiver concluída, surge uma gigantesca e inevitável onda de fome que, com um poderoso sopro, nivela novamente a população e os alimentos do planeta. A relação entre fome e população é analisada por Malthus através da superpopulação que gera a fome. A principal consequência do Ensaio foi destruir o optimismo exagerado de William Godwin e do economista escocês Adam Smith. Malthus, viaja de 1799 a 1802 pela Europa e se consagra no estudo da população em diversos países para um aprofundamento das situações nesses países.

Em 1803, a segunda edição agora com o seu nome, “An Essay on the Principle of Population; or a View of Its Past and Present Effects on Human Happiness; with na Inquiry into our Prospects Respecting the Future Removal of Mitigations of the Evils which It Occasions” (Um Ensaio sobre o Princípio da População; ou uma Visão de Seus Efeitos Passados e Presentes sobre a Felicidade Humana; com uma Investigação sobre nossas Perspectivas em Relação a Futura Eliminação de Mitigações dos Males pelas Oportunidades), Malthus era contra a intervenção do Estado, principalmente sob a forma de auxílio material prestado ao homem inapto a ganhar o suficiente para a manutenção de uma família. Malthus julga tal intervenção inútil e mesmo perniciosa para a Sociedade, ou seja, considerava contra a Lei dos Pobres (Poor Law), cuja aplicação levava o Estado a prover as necessidades humanas vitais da população pobre da Ilha, afim de remediar seus sofrimentos em paróquias mal administradas. As leis inglesas de amparo aos pobres têm contribuído para empobrecer aquela classe de gente cuja única posse é o seu trabalho.

Cerca de cem anos depois, o economista inglês John Maynard Keynes retomará as ideias originais de Malthus e as desenvolverá, mostrando as falhas da argumentação de Ricardo. Thomas Malthus tentou convencer David Ricardo, mas sem êxito, de que a procura efectiva (volume do dispêndio em bens de consumo mais o dispêndio em bens de investimento) poderia ser deficiente e causar desemprego geral involuntário. Não é de qualquer maneira que Keynes não poupa elogios à figura de Thomas Robert Malthus: «Se somente Malthus, em vez de Ricardo, tivesse sido o ramo originário da Ciência económica do Século XIX, quão mais sábio e mais rico seria o mundo!».

O grande mérito de Malthus foi ter chamado a atenção para a importância da demanda efectiva na determinação do nível de emprego e de renda. O economista clássico Malthus afirmou: “é um erro muito grave considerar ponto pacífico que a humanidade produzirá e consumirá tudo o que produzir e consumir, e que nunca preferirá indolência às recompensas do trabalho”.


Malthus também elaborou uma Teoria da População, cujo objectivo principal era substituir os obstáculos positivos (guerras, pobreza, etc.) pela restrição moral (moral restraint). Seu terceiro obstáculo é peculiar ao homem e resulta das suas faculdades superiores de raciocínio, que lhe permitem calcular as consequências.

A “queda progressiva do salário real da mão-de-obra reduz o bem-estar da população”. Para amenizar esse problema, Malthus recomendava o controle de natalidade através da abstinência sexual, ou seja, o homem não deve casar antes de possuir condições económicas para sustentar a sua família.

Assim, Malthus exerceu, através da sua Teoria da População, uma profunda influência sobre a orientação científica da Escola Clássica, que antes dele foi, com Adam Smith, liberal e optimista, e tornar-se-á, com ele e depois dele, pessimista e liberal. Malthus e Smith entendem que as leis naturais, deixadas sem controlo, trariam consequências maléficas à humanidade.

As ideias de Richard Cantillon, David Hume, Mirabeau e outros escritores sobre o crescimento da população não haviam produzido qualquer influência duradoura e sobretudo eram ideias desconhecidas para a maioria dos leitores. Malthus escreveu uma Teoria da População capaz de influenciar os leitores do Velho Mundo, como também, do Novo Mundo e posteriormente os seus descendentes sobre os grandes problemas sociais da humanidade. Segundo Malthus, a chave do desenvolvimento económico residia no controle de natalidade. As previsões imperfeitas de Malthus geraram os pensamentos dos neomalthusianos.

A pobreza nas grandes cidades tem alarmado desde então Malthus, chegando ele a afirmar: “Sabe-se que as grandes cidades são desfavoráveis à Saúde, e particularmente, à Saúde das crianças novas”. Além dele alarmou os neomalthusianos (Charles Bradlaugh, Annie Besant, W.Friedrich etc.), assim como também os ecomalthusianos. Estes defendem grandes investimentos em educação, Saúde e infraestrutura urbana para resolver os problemas demográficos, ambientais e sociais, e sobretudo para melhorar a qualidade de vida da população nas grandes cidades.

Contudo, a Catástrofe Malthusiana acabou por ocorrer na Irlanda com a fome provocada pela escassez de batatas no Século XIX. E no Século XX, novas Catástrofes Malthusianas ocorreram na Etiópia e Somália. Felizmente, as Profecias de Malthus ainda estão longe de se concretizarem nos países desenvolvidos, houve um aumento populacional, mas também houve aumento da produção, devido aos avanços na tecnologia e na medicina nos últimos dois séculos.

Entretanto, o aspecto Malthusiano ainda amedronta os países subdesenvolvidos da África (são 2.250.000 mortos em guerras civis), da Ásia (71,4% da população vive abaixo da linha de pobreza) e da América do Sul (estimou-se mais de 349 milhões de habitantes no ano 2000).

Catástrofe Malthusiana

Malthus, cujas suas obras influenciaram vários campos do pensamento e forneceram a chave para as teorias evolucionistas de Darwin e Wallace e economistas clássicos como David Ricardo criou assim a expressão “Catástrofe Malthusiana” para designar a situação na qual, como consequência da insuficiência de recursos alimentares para sustentar uma população em crescimento geométrico, é inevitável que uma grande percentagem da população pereça graças à fome e à doença.

Na história do pensamento económico, poucos economistas chegaram a suscitar tantas controvérsias como o economista inglês Thomas Robert Malthus. Até hoje, 244 anos após o seu nascimento, nenhum estudante, professor, economista ou leitor consegue manter-se neutro, perante seus livros e panfletos publicados no final do Século XVIII e principalmente no início do Século XIX.

Referências:

  • Moreira, J.C. Sene, Eustáquio; «Geografia Geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização»; 2005. p. 431.
  • Hunt, E. K.; «História do Pensamento Económico»; 3.ed.; 1985; 541 p. ISBN 85-7001-269-1.

18 COMENTÁRIOS

  1. Num momento em que se desenha um futuro em que uma parte massiva do trabalho vai ser substituido por tecnologia, o que vai ser dos milhares de milhões de desempregados? Que mundo se pretende para o futuro. Há que repensar Malthus. Eu sei que actualmente se põe todo o futuro na “teoria da infinitude” do ocnhecimento. Mas este deve ser usado sim para a tal tecnologia, mas a população na minha opinião deve ser reduzida (é claro que nao fazer mal a niguem, mas repensar isto na consciencia de cada um). Seria necessário criar riqueza via recursos e desenvolvimento sustentavel e nao partir do ponto desesperante de “arranjar soluções” em situações extremas para gente com fome. É muito mais facil gerir populações mais pequenas mas com tecnologia avançada. Basta ver que os paises mais bem sucedidos do ultimo seculo em termos de bem estar, ambiente e recursos, economia e afins (crises externas á parte) são paises como a Noruega, Suecia, Islandia, etc.. É certo que tem recursos, mas muitos outros paises os tem. No entanto isto é muito mais facil com populações pequenas, há espaço, ar, qualidade de vida e mais recursos para cada um. Basta juntar a tecnologia. Peso na população activa, devido ao envelhecimento da população? Não, se a riqueza e recursos forem bem distribuidos, fora de lobbys e afins.

  2. A teoria de Malthus pode ter sido incompreendida e exagerada naquela época, onde a palavra desemprego ainda não tinha sido inventada, mas ganha força e relevo na actualidade, face aos milhões de desempregados e pobres que são suportados pelo Estado Social na actualidade!

  3. Amiga victoria bento,

    Este artigo já foi publicado pelo Paradigma da Matrix há bastante tempo, numa altura inicial onde ainda não tínhamos o mesmo rigor em relação a certos pormenores como temos hoje.

    No entanto, já tornámos disponíveis as referências no próprio artigo, e as quais reproduzimos aqui:

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    * http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Malthus

    * “Teorias Demográficas e Desenvolvimento Sócio Económico”, em: http://www.frigoletto.com.br/GeoPop/teoriasdemog.htm

    * Moreira, J.C. Sene, Eustáquio; «Geografia Geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização»; 2005. p.431.

    * Hunt, E. K.; «História do pensamento económico»; 3.ed.; 1985; 541 p. ISBN 85-7001-269-1.

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    Obrigado por contribuir para a melhoria do nosso site, através de uma questão que se tratou de uma sugestão indirecta.

    Até à próxima.

  4. este artigo e muito valioso creio que vai sevir de reflexao … ela parece ser pessimista mas ao mesmo tempo real e soluvel mas sinceramente acredito na infinidade da vida e no apostamento do progresso tecnologico.no fundo as devem deixar de ambiciosas em querer ter tudo e os outros nao terem nada… ou seja distribuicao da renda.

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